Pai de jovem executado denuncia polícia em coletiva

Entrevista aconteceu na tarde de ontem (26), na sede da SMDH

Foto: Zema Ribeiro/ Ascom/ SMDH

Visivelmente abalado, pai chora morte do filho. “Eu quero justiça!” Foto: Zema Ribeiro/ Ascom/ SMDH

 

O lavrador Antonio Carlos Cantanhede, 49, esteve na tarde desta quinta-feira (26) na sede da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH), onde concedeu entrevista coletiva. Na ocasião ele apresentou sua versão sobre a morte de seu filho, Márcio Antonio Cantanhede, de 22 anos, ocorrida no último dia 13 de março, em Bequimão/MA.

Diversos jornais e blogues repercutiram a versão da polícia, de que o jovem foi morto em um confronto com policiais – além de Márcio, a polícia matou Wellison Márcio Martins, 18, e prendeu outros dois jovens.

Segundo Antonio contou durante a entrevista não houve confronto. “Meu filho estava conversando com os rapazes quando foram atocaiados num matagal. Várias pessoas ouviram gritos, pedidos de socorro, provavelmente eles estavam sendo torturados. Depois se ouviram tiros”, relatou.

Para o advogado Luis Antonio Pedrosa, assessor jurídico da SMDH, a versão do confronto é pouco crível. “Quem está em confronto não grita pedindo socorro. Nos primeiros meses de governo estamos assistindo a muitas intervenções policiais com resultado letais. É preciso conter essa dinâmica responsabilizando os autores pelos excessos”, afirmou.

“Eu tinha ido para minha banca, meia hora depois recebi uma ligação de minha esposa dizendo que já tinham matado os rapazes”, relatou o senhor Antonio Carlos, visivelmente emocionado.

Ele dá conta ainda que o comandante da operação policial, depois, apresentando um suposto mandado de busca e apreensão, revistou parte de sua casa, alegando estar procurando uma pistola .40. “Ele no entanto se concentrou no quarto que meu menino dormia, tirou as coisas do lugar e não achou nada”, contou.

Indagado se o filho tinha algum envolvimento criminoso, ele respondeu: “criminoso não. Nunca andou armado, não tinha passagem pela polícia. Há algum tempo eu soube que ele estava mexendo com droga, eu o chamei e disse: “eu não te criei pra isso, pode largar, vamos trabalhar”, e ele parou. Eu quero justiça!”.

Ainda segundo seu relato, a namorada de Márcio Antonio foi à delegacia reaver o celular com que ela lhe havia presenteado, comprado em São Paulo. Lá ela ouviu que os rapazes foram mortos por engano.

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